DIREITA VS. ESQUERDA


E SE O MAIOR DESAFIO DO BRASIL NÃO FOSSE ESCOLHER ENTRE LADOS?
Imagine uma casa...
Se a estrutura está comprometida, a prioridade deve ser reformar os alicerces.
Se a estrutura está sólida, mas as pessoas estão adoecendo emocionalmente, talvez a prioridade inicial seja cuidar da mente, das emoções e das relações.
Simples, não é mesmo?
Entretanto, quando se trata do ser humano, a questão por trás das nossas escolhas é ainda mais profunda.
Afinal, quantas pessoas escolhem seus representantes pensando verdadeiramente nas necessidades do país? E quantas fazem suas escolhas movidas principalmente pelo medo, pela raiva, pela identificação com um grupo ou pela necessidade de encontrar alguém para culpar, mesmo que inconscientemente?
No cenário atual, é crucial que nossa decisão vá além das nossas preferências pessoais e reconheça o que realmente precisa de atenção neste momento.
Para isso, quero convidar você a olhar para essa questão de uma forma nada convencional, mas que fará sentido ao final.
Leis Universais
Vamos partir do conceito das Leis Universais, compreendidas em diferentes tradições milenares como princípios presentes em tudo o que existe e que regem todas as coisas, inclusive mencionados, sob diferentes perspectivas, em parábolas bíblicas.
Dentre elas, trarei duas para nossa reflexão: a Polaridade e a Dualidade.
Em termos gerais:
O Princípio da Polaridade ensina que os opostos podem ser manifestações de uma mesma realidade, em diferentes graus ou intensidades. O quente e o frio, por exemplo, são variações de uma mesma escala de temperatura.
O Princípio da Dualidade indica que tudo possui duas faces e que nada existe isoladamente: luz e sombra, bem e mal, positivo e negativo, masculino e feminino, razão e emoção.
E o que isso tem a ver com política?
Se utilizarmos esses princípios como uma maneira de compreender o ser humano, seu comportamento e a organização da sociedade, podemos identificar uma relação entre essas forças e diferentes tendências políticas.
Dentro desse conceito, cada pessoa, independentemente do gênero, carrega em si as energias masculina e feminina, em diferentes níveis. Cada uma delas também possui suas manifestações de luz e de sombra.
Considerando as características dessas energias dentro de nós, a energia masculina está relacionada à estrutura, à organização, à objetividade, à disciplina, à proteção, à força de trabalho, à liderança, à capacidade de estabelecer limites e de construir bases materiais.
Na política, por exemplo, podemos associar essas características a valores frequentemente defendidos pela direita, como:
Empreendedorismo;
Responsabilidade econômica;
Ordem institucional;
Valorização da iniciativa privada;
Proteção e segurança.
Já a energia feminina está relacionada ao acolhimento, à nutrição, à criatividade, à multiplicação, à cura e ao cuidado.
Na política, podemos associar essas características a valores frequentemente defendidos pela esquerda, como:
Maior preocupação com a proteção social;
Maior interesse na redução das desigualdades;
Valorização da arte e da cultura;
Amparo aos mais necessitados.
ATENÇÃO: Essas associações não são regras absolutas. Existem pessoas de direita comprometidas com o bem-estar social e pessoas de esquerda que valorizam a disciplina econômica, o empreendedorismo e a responsabilidade fiscal.
Onde surgem os problemas.
O problema começa quando transformamos essas forças em inimigas.
Na prática política, isso acontece, por exemplo, quando a preocupação social ignora os limites econômicos, criando riscos de desequilíbrio fiscal e de insustentabilidade.
Ou quando a busca pelo crescimento econômico ignora as necessidades humanas, o que pode gerar exclusão, desigualdade e deterioração das condições de vida.
Imagine uma família...
De que adianta existir acolhimento, amor e cuidado se não houver organização, recursos e condições materiais para sustentar aquela casa?
Por outro lado, de que adianta existir dinheiro, estrutura e disciplina se não houver afeto, compreensão e atenção às necessidades mais profundas das pessoas?
Uma família saudável precisa de ambas as dimensões. E uma sociedade também!
A natureza como representação do equilíbrio
Se olharmos para aquilo que está mais próximo do Criador, a natureza, e observarmos o desenvolvimento de uma árvore, encontraremos uma representação interessante dessas forças.
Assim como na geração de uma vida entre um casal, o masculino é a semente, enquanto o feminino é a terra que a nutre com seus nutrientes.
A água representa as emoções; o Sol, a luz e a energia da vida.
Quando a semente brota, o masculino reaparece na estrutura, representada pelo caule, enquanto o feminino se manifesta nas ramificações e na multiplicação.
Dentro dessa perspectiva, podemos compreender claramente a incapacidade de sistemas socialistas de sustentar sua estrutura econômica (pois não a possuem quando rejeitam a direita, a energia masculina) e, por outro lado, os impactos de um capitalismo desenfreado, capaz de comprometer a própria Mãe Natureza.
Conflitos semelhantes estão presentes em diferentes áreas do nosso cotidiano:
Marketing vs. Vendas. Colaborador vs. Empresário. Exatas vs. Humanas. Masculino vs. Feminino.
Entretanto, o contraste e o atrito não são necessariamente ruins.
Eles podem ser fundamentais para gerar tração e movimento. O problema surge quando essas forças deixam de olhar para um objetivo comum e passam a defender apenas interesses unilaterais.
O movimento exige duas pernas
Podemos observar isso na maneira como caminhamos.
Com uma perna só, parada e estável, não saímos do lugar.
Quando não temos consciência suficiente para avançar por decisão própria, muitas vezes é a dor, o desequilíbrio ou uma crise que nos obriga a mover a outra perna.
Mesmo que consigamos avançar utilizando apenas uma, o desgaste é maior e o alcance, menor.
Mais do que isso: se a mente direciona esse movimento sempre para um único lado, corremos o risco de andar em círculos, perder a direção e desperdiçar tempo e energia que poderiam ser utilizados para avançar em direção ao objetivo comum.
Quando ambos os lados compartilham o mesmo objetivo, mesmo que ainda existam dificuldades, torna-se possível chegar mais longe, com menos desgaste e melhores resultados para todos.
O papel da consciência
Existe, entretanto, uma questão ainda mais profunda.
Repleto de dores e inconsciência, o ser humano perde a capacidade de enxergar a realidade de maneira abrangente. Se vitimiza, busca salvadores, manipula ou encontra culpados, comprometendo a construção de soluções voltadas ao bem comum.
Sem harmonia interior, nossas dores e necessidades influenciam a maneira como enxergamos não apenas a política, mas também a própria vida.
Desenvolver consciência também significa reconhecer essas influências antes de tomar decisões.
Outro ponto crucial é que a consciência não nasce necessariamente do intelecto.
Existem pessoas com conhecimento e até sabedoria suficientes para compreender e orquestrar esse jogo, mas que ainda carregam profundas sombras em seus corações.
Independentemente de seus discursos, buscam o poder pelo poder, mas não para o bem da sociedade.
Por isso, desenvolver discernimento por meio do trabalho interior é fundamental para nos tornarmos menos vulneráveis à manipulação de lideranças que utilizam nossas dores e necessidades emocionais em benefício próprio.
Transcender nossas dores não é fingir que as diferenças não existem.
É deixar de querer excluir automaticamente o outro lado, tratando-o como inimigo.
E, principalmente, compreender que o melhor para o país precisa estar acima da necessidade de ver o nosso lado vencer.
Equilíbrio e as prioridades
Existe outro ponto extremamente importante:
Equilíbrio não significa necessariamente dar a mesma atenção a tudo, o tempo inteiro.
Lembra da casa que mencionei no início?
"Se os alicerces estão comprometidos, precisamos, primeiro, reconhecer a necessidade de recuperar a estrutura.
Se a estrutura está sólida, mas as pessoas estão adoecendo emocionalmente, talvez a prioridade seja cuidar das relações."
E é aqui que entra o momento atual do Brasil!
Infelizmente, ainda não conseguimos escolher uma liderança que represente plenamente o equilíbrio dessas forças, pois, como nação, também não alcançamos esse equilíbrio dentro de nós.
Por isso, primeiramente, é necessário compreender nossa própria guerra interna e reconhecer como ela influencia nossas escolhas.
Ao mesmo tempo, precisamos olhar para a realidade do país, identificar suas necessidades estruturais, econômicas, sociais e humanas e estabelecer prioridades de acordo com o que o momento exige.
O verdadeiro equilíbrio não está em escolher um lado para sempre, mas em desenvolver consciência e bom senso para reconhecer o que precisa ser realizado em cada momento.
O que o Brasil realmente precisa?
O Brasil não precisa de uma disputa eterna entre duas metades da população.
Precisa de maturidade para reconhecer seus problemas, estabelecer prioridades e construir soluções que funcionem.
Em hipótese alguma, o objetivo final deveria ser a vitória da direita ou da esquerda.
Afinal, a vitória de uma ideologia, por si só, não garante a prosperidade de uma nação.
Ela prospera quando consegue transformar responsabilidade, desenvolvimento e cuidado com as pessoas em resultados concretos.
Por isso, a decisão mais consciente não deve nascer das nossas preferências, dores ou identificações ideológicas, mas da capacidade de reconhecer aquilo que realmente precisa ser fortalecido no momento.




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